Na doutrina Católica, a oração, sempre dirigido a Deus (ou à Virgem Maria e aos Santos para interceder a Deus e junto de Deus), também pode ser considerada uma reza, uma mensagem escrita, oral ou um pensamento de adoração, louvor, súplica, rogo, prece, pedido ou petição, itercessão, agradecimento, bênção, presença ou unificação. Em suma, a oração é uma elevação do coração e da alma humanas a Deus.
A oração, ou simplesmente "falar com Deus", é um dom da graça de "Deus que vem ao encontro do homem" e permite o estabelecimento de uma "relação pessoal e viva dos filhos de Deus com o Pai infinitamente bom, com o seu Filho Jesus Cristo e com o Espirito Santo que habita no coração daqueles". Na oração, o crente eleva "a alma a Deus" para O louvar ou pede "a Deus bens conformes à sua vontade". Mas, é preciso salientar que a oração não tem a função de alterar a vontade de Deus, mas somente de obter para si mesmo e/ou para os outros graças, bens ou bênçãos que Deus já estaria disposto a conceder, mas que deveriam ser pedidos primeiro pelo crente. A oração "pressupõe acreditar num Deus pessoal e na possibilidade de entrar em contacto" directo com Ele, sendo por isso "a expressão mais espontânea" do "desejo de Deus por parte do homem". Esta desejo humano é testemunhado por "todas as religiões e, em especial, toda a história da salvação, […] se bem que é sempre Deus que primeiro e incessantemente atrai cada uma das pessoas para o encontro misterioso da oração".
Oração no Antigo e Novo Testamentos
No Antigo Testamento, a oração já estava presente, como por exemplo, nos vários episódios importantes de personagens bíblicos (nomeadamente de Abraão, Moisés. David, Isaías, etc.) e do próprio povo de Deus, sendo os salmos um exemplo da sua expressão. Já no Novo Testamento, Jesus, apesar de estar em íntima comunhão com Deus Pai, é considerado o perfeito modelo e mestre de oração, "rezando ao Pai em longas vigílias e em momentos decisivos da sua vida, desde o baptismo no Jordão à morte no Calvário". Jesus, para além de ensinar o Pai-Nosso (considerado a síntese do Evangelho e, por isso, a oração mais perfeita e mais carregada de significado), ensinou também "os discípulos a rezar devota e persistentemente", transmitindo-lhes "as disposições requeridas para uma verdadeira oração". Jesus garantiu-lhes também "que seriam ouvidos sempre que rezassem bem", porque a oração humana "está unida à de Jesus mediante a fé. N’Ele, a oração cristã torna-se comunhão de amor com o Pai". Aliás, é o prórpio Jesus que manda rezar: "«Pedi e recebereis, assim a vossa alegria será completa» (Jo 16,24)".Oração na vida da Igreja
O Espírito Santo é o "Mestre interior da oração cristã", porque "forma a Igreja para a vida de oração e a faz entrar cada vez mais profundamente na contemplação e na união com o insondável mistério de Cristo". Por isso, a oração é "inseparável do progresso da vida espiritual" e, em suma, da vida cristã da Igreja e de cada católico. Logo, pouco a pouco, a liturgia foi-se desenvolvendo e tornou-se na "oração oficial da Igreja", com particular destaque para a missa (e a Eucaristia, que "contém e exprime todas as formas de oração") e a Liturgia das Horas "Paralelamente, desenvolveu-se também a oração devocional (piedade popular), tanto comunitária como individual".
Assim sendo, "as formas essenciais da oração cristã" são "a b~enção e a adoração, a oração de petição e a itercessão, acção de graças e o louvor. Embora a "adoração e louvor a Deus seja a mais perfeita", a oração de petição e intercessão "pelo próprio, por outras pessoas (vivas ou no Purgatório) ou por causas nobres é necessária e meritória". Apesar de toda a oração ter "como destino final" a Santíssima Trindade, isto não impede os crentes de prestarem devoção e de rezarem "a Nossa Senhora, aos Anjos e aos Santos do Céu como intercessores junto de Deus". Aliás, "a Igreja gosta de orar à Virgem Maria e de orar com Maria, a Orante perfeita", porque ela "«mostra-nos o caminho» que é o Seu Filho Jesus, o único Mediador" junto de Deus Pai. Orações como a Ave Maria e o Rosário são exemplos disso.
A oração, que "pressupõe sempre uma resposta decidida da nossa parte", é também considerada um combate "contra si mesmo, contra o ambiente e sobretudo contra o Tentador". O Diabo tenta a todo o custo retirar o crente da oração, através, como por exemplo, da distracção, da preguiça, "das dificuldades e dos insucessos aparentes".
Para concluir, São Pio de Pietrelcina afirma que "a oração bem feita toca o coração de Deus, incitando-O a ouvir-nos. Quando rezamos, que todo o nosso ser se volte para Deus. […] O Senhor deixar-Se-á vencer e virá em nosso auxílio. […] Reza e espera. Não te agites; a agitação é inútil. Deus é misericórdia e há-de escutar a tua oração. A oração é a nossa melhor arma: é a chave que abre o coração de Deus. Deves dirigir-te a Jesus, menos com os lábios do que com o coração".
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