No cristianismo, Veneração dos santos descreve uma especial devoção aos santos, que são considerados modelos de vida cristã que gozam no Céu da vida eterna, podendo interceder pelos fiéis, sendo a veneração uma forma de prestar-lhes respeito. O Culto Divino está devidamente reservado apenas para Deus (latria) e nunca para o santos. Embora o termo "veneração" ou "culto" seja frequentemente utilizado, verdadeiramente significa apenas prestar honra ou respeito (Dulia) aos santos. Veneração não deve ser confundida com idolatria. A Veneração é demonstrada externamente pela reverência à ícones de santos e relíquias, pois as imagens são consideradas como "fotografias de nossos parentes, servindo para nos lembrarmos dos santos homens do passado". E "aquele que se prostra diante do ícone, prostra-se diante da pessoa daquele que na figuração é representado". Exemplos de confecção de imagens e veneração podem ser encontrados na Bíblia em Ex 25,17-22; Nm 21,8-9; 1 Cr 28, 18-19; e etc.
Registros das comunidades cristãs primitivas indicam que estes representavam Jesus com imagens ou iconografias, como um Bom Pastor, e posteriormente foram descobertas esculturas de Cordeiro Pascal, Peixes e outros ícones representando a vida de Cristo. Desde o século II os cristãos preservavam relíquias de mártires, oravam pelos mortos e acreditavam na intercessão dos santos, essas práticas eram conhecidas por alguns antigos grupos judeus. O Papa São Gregório Magno no século VI insistiu no caráter didático das pinturas nas igrejas, para evangelizar os analfabetos. Posteriormente o Segundo Concílio de Nicéia, realizado em 787, declarou a legitimidade de utilizar imagens. Em 1987, por ocasião do XII Centenário do II Concílio de Nicéia, o Patriarca de Constantinopla Demétrio e o Papa João Paulo II reafirmaram como legítima esta doutrina.
Veneração e Adoração
O diácono e dr. Mark Miravelle da Universidade Franciscana de Steubenville, falou sobre veneração e adoração:Adoração, que é conhecido como Latria clássica em Teologia, é o culto e a homenagem que é justamente oferecida somente a Deus. É o reconhecimento de sua excelência e perfeição divina. É a adoração do Criador que só Deus merece. Veneração, conhecido como dulia clássica em teologia, é a honra, devido à excelência de uma pessoa. (...) Podemos ver um exemplo de veneração geral em eventos, como a atribuição de bolsas de excelência acadêmica na escola, ou a atribuição de medalhas olímpicas para a excelência no esporte. Não há nada contrário à adoração de Deus, quando oferecemos a devida honra e reconhecimento de que as pessoas merecem baseada na realização de sua excelência. (...) A devoção de uma pessoa aos santos (...) não acaba com os santos em si, mas sim, em última análise, chega a Deus através dos santos. Este é um elemento importante para a adequada e autêntica compreensão da devoção aos santos (...). Prestar honra à um santo (...) em união amorosa com Deus é também homenagear o objeto de sua união amorosa: o próprio Deus, pois «quem honra seu irmão, também honra à Deus (Mateus 25, 40)».
Fundamentação na Bíblia
Sobre a intercessão dos santos
Nós Católicos acreditamos que Maria, os Anjos e os Santos são seres espirituais que oram no Céu pelos pedidos e súplicas dos homens, intercedendo junto de Deus, é o dogma da comunhão dos santos. Os santos conhecem as preces à eles dirigidas por dom de Deus, de quem vem “todo dom melhor e todo dom perfeito” (Tg 1, 17). A passagem mais significativa é Apocalipse 5, 8, "E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos." São João diz que Deus recebe as orações dos santos. Outras passagens bíblicas dizem que os "santos são como os anjos de Deus no céu" (Mateus 22, 30). Zacarias diz: "que o anjo intercedeu por Jerusalém ao Senhor dos exércitos" (Zc 1, 12 -13). O próprio Jesus fez uma narrativa de uma intercessão, em que uma pessoa que se encontrava no inferno implorava a abraão que mandasse alguém para lhe refrescar a língua com água (Lucas, 16, 19-31). "19 Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.20 Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele;21 E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas.22 E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado.23 E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio.24 E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.25 Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado.26 E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá.27 E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai,28 Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.29 Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.30 E disse ele: Não, pai Abraão; mas, se algum dentre os mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam.31 Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite".
Nos Católicos acreditamos que Cristo seria o único mediador de redenção e salvação perante Deus, conforme relatado em 1Timoteo 2:5-7, quando São Paulo diz "Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem que se entregou como resgate por todos. Tal é o fato atestado em seu tempo", como Paulo escreve "homem que se entregou como resgate por todos" ou seja para a salvação de todos, afirmando que os santos poderiam interceder em outras questãos, mais cabe unicamente a Cristo a mediação de salvação, também sustentamos que podem haver mediadores que dependem de Jesus, como Maria, considerada medianeira (Medianeira na mariologia da Igreja refere-se ao papel da virgem Maria como uma mediadora de graças e bençãos através de Jesus. É um conceito distinto de Co-Redentora).
Sobre a confecção de ícones
Na Bíblia existem alguns exemplos em que Deus mandou confeccionar imagens para o uso religioso:
Acredita-se que a proibição de fazer imagens de Deus no mandamento do Antigo Testamento, devia-se ao fato de que Deus era invisível e retratá-lo seria realmente errado, mas que a encarnação de Deus em seu Filho, Jesus Cristo, "O Verbo se fez carne" (Jo 1:14), assim o Deus invisível se tornou visível em Cristo (Colossenses 1:15) e, portanto é admissível que se retrate Jesus.
Veneração
Exemplos de veneração são demonstradas na Bíblia:
Na passagens acima, Abraão e Moisés põem-se de joelhos como forma de respeito e veneração por outros homens ou seres espirituais (anjos no caso de Abraão), o ato de súplica não é um ato de adoração, mas de humildade, onde eles reconhecem no outro sua superioridade ou seu poder de atender-lhe um pedido. Porém a passagem mais significativa é a de Josué, em que ele se prosta diante da arca da aliança, sendo um exemplo explícito de veneração de uma imagem ou objeto. Portanto a própria Bíblia difere a adoração (latria) de veneração (dulia).
Relíquias
São atribuido milagres à relíquias, ou seja, ossos ou objetos de santos e mártires, porém não acredita que o milagre é produzido "materialmente pelas relíquias", mas pela vontade de Deus através delas. No Antigo Testamento os hebreus já tinham este costume, por exemplo, Moisés levou do Egito o corpo de José (Ex 13, 19), um morto ressuscitou ao contato dos ossos do profeta Eliseu (II Reis, 13, 21). No Novo Testamento a sombra de São Pedro curava doentes (At 5, 15). Santo Inacio de Antioquia, devorado por leões no Coliseu de Roma, teve alguns ossos recuperados por seus discípulos e levados para Antioquia (no ano 107) para serem venerados. O mesmo ocorreu com São Policarpo, bispo de Esmirna (166), queimado vivo; os seus restos foram recuperados e venerados. Registros indicam que desde o século II, o túmulo com os restos mortais de São Pedro no Vaticano era um local de peregrinação e veneração.
A benção de objetos
Os capítulos 25 a 31 de Êxodo são a enumeração de todos os objetos que Deus manda fazer e reservar para o seu culto, como por exemplo, o incenso, utilizado em rituais desde o Antigo Testamento. Deus manda utilizar estes objetos, bem como exige que sejam "consagrados, bentos ou ungidos" com uma unção especial, mandando fazer o azeite para a unção, sendo esta a base bíblica da benção dos objetos e das pessoas consagradas a Deus.
Nos somos condenados ou criticados pelas religiões protestantes em geral (pois afirmam que a veneração trata-se de adoração) aos Santos e à Virgem Maria. Logo, para os integrantes dessas religiões, o culto de veneração seria considerada como idolatria. Em alguns casos esta acusação provoca atos de intolerância e violência por parte de protestantes, como a destruição de esculturas na Holanda e o "chute na Santa" Mas, sobre esta questão, além de salientar a diferença entre a adoração e a veneração, afirmamos não ter qualquer relação com a idolatria, e sustentamos que a própria Bíblia oferece exemplos de intercessão (Jer 15, 1), veneração (Josué 7, 6) e confecção de imagens (Ex 25,18-19), também argumentamos que idolatria é o culto de adoração que se presta a uma criatura, ou idéias, prestando a ele o culto que só se deve a Deus. O Concílio de Trento afirmou que "São ímpios os que negam que se devam invocar os santos, que gozam já da eterna felicidade no céu. Os que afirmam que eles não oram pelos homens, os que declaram que este pedido por cada um de nós é idolatria, repugna a palavra de Deus e se opõe a honra de Jesus Cristo, o maior mediador entre Deus e os homens"
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